Histórias da Paraíba. Minicontos e contos que falam sobre mulheres, cachaça e cacetes(-brigas-),produzido por um cabra da moléstia e cachaceiro papudinho profissional de carteira na mão.
24 horas na Paraíba! 2º Temporada!
Anteriormente, em 24 horas na Paraíba...
Airton e Neto deixaram Zé de Nué na casa onde estavam organizando a festa do casamento. Depois, os dois doidos seguiram em direção a casa de seu avô e limparam-se da lama que traziam no couro. Mas, quando Airton foi ajudar Neto a tirar o barro da moto, ele viu uma pessoa muito estranha conversando com ele e quando perguntou de quem se tratava, Neto calou-se.
Os eventos aqui descritos ocorrem entre 20:00hs e 21:00hs
Depois desta última frase de Neto, um clima meio estranho baixou entre os dois. Um silêncio perturbador. Que só foi quebrado pelos gritos doidos de um cabra pilotando uma moto. Mas o sujeito vinha numa carreira tão grande que parecia que iria voar.
- Sai do mêêêêêiiii!!! - gritou o cabra doido.
Airton e Neto, protegidos pela cerca de arame farpado, ficaram olhando o homem doido passar naquela carreira desenfreada no meio da estrada. Neto fez apenas um comentário fatal...
- Ô Airton, repare no estouro que ele vai dar no chão...
- Como tú sabe?
- Ele esqueceu o pedal de descanso da moto abaixado... espia!
E antes mesmo de chegar ao final da cerca, o cabra deu um pulo com a moto ao passar por um pequeno calombo de terra. E aí foi moto prum lado e sujeito doido da grengena pra outro.
- Eita bixiga! - disseram os dois que olhavam a presepada toda.
Saíram correndo para ajudar o cabra, que mesmo sendo um doido, ainda era filho de Deus e não podia ser abandonado.
Chegando próximo ao local do acidente, um cheiro horrível de merda entrou no nariz daqueles dois samaritanos.
- Vixi maria... que diabo é isso? - exclamou Neto.
- Acode aqui, pelo amor de Deus! - gritava o homem caído.
Airton começou a rir enquanto se aproximava do cabra. Isso por que ele já imaginava o que tinha acontecido. Uma tragicomédia das boas.
- Esse cabra cagou-se todinho na queda! Oxê!
- Pelo amor de Deus... que miséria... que miséria... - falava o sujeito.
Neto reconheceu o homem. Era Chico Lôta, e pelo visto estava indo para a igreja participar do casamento de Zé de Nué pois estava muito bem vestido. Mas mesmo usando os trajes de um lorde feudal, um homem não poderia entrar todo cagado em uma igreja.
- Pelo jeito tú vai ter que ver as filmagens do casamento de Zé de Nué, por que desse jeito num tem jeito de tú ir pra lá agora... - disse Neto.
- Mas... mas... - balbuciava Chico Lôta.
- Tem nada não, homi. Tú se arruma lá na casa de vovô e ainda participa da festa.
- Mas... mas... - continuava Chico Lôta.
- Mas o quê, miséra! Diga logo!
- Mas... eu tô com as alianças!
- PUTA QUE PARIU! - não se conteve Airton, ao soltar esse palavrão.
- E agora? Eu não me arrumei ainda... - disse Neto.
- Desse jeito... é fácil eu num chegar nem na hora da festa. - reclamava Chico Lôta.
- Os noivos devem estar só esperando as aliança pra casarem... - disse Neto.
- Vixi maria... que eu tô lascado! Eu disse pra Zé de Nué que num ia faltar no casamento, e agora me acontece essa lástima...
De repente, o ronco de uma moto foi ouvido. Era Airton, que montado na moto de Chico Lôta, estava determinado a ir até a igreja entregar as alianças.
- Òia só! A moto funciona ainda! Ei, Chico! Me dê as alianças que eu consigo chegar lá em tempo!
- OXÊ! Tú sois doido é? - disse Neto.
- Oxê! Depois de quase morrer de tanto estouro e queda do Mororó pra cá, eu não vou deixar esse casamento escapar pelos dedos por causa de uma cagada dessas.
- Ei, eu só me caguei assim por causa do gerimum com leite que eu comi antes de sair de casa...
- Vixi! Deus nos salve dos gerimuns com leite e quedas de moto! - disse Airton, pegando o par de alianças das mãos de Chico Lôta.
Após Airton se ajeitar na moto, colocar as mãos no guidão, Neto perguntou.
- Ô Airton... tú sabe pilotar moto?
- Olhe... a primeira e única vez que pilotei, faz uns dois anos e eu tava bêbado.
- Hein?
Airton não ouviu esse comentário de Neto, pois ele já tinha se danado na carreira de mundo abaixo em direção a igreja.
- Agora danousse... - disse Chico.
- Por quê? - perguntou Neto.
- Do mesmo jeito que eu, ele esqueceu o pedal de descanso da moto abaixado.
- AIIIRTOOOONNN!!! - gritou Neto. E o grito foi tão alto que acordou até quem já estava acordado.
postado por Airton Marinho #
09:38